O Desafio e a Recompensa por Deixar meu Filho Crescer: Minha Experiência com Autonomia.
- Cintia Neves de Azambuja
- 6 de ago. de 2024
- 2 min de leitura

Meu filho Diogo, aos 14 anos
Dar autonomia aos filhos é como cortar de vez o cordão umbilical. Dá um frio na barriga e um medo gigantesco saber que eles vão enfrentar riscos longe de nós. É normal sentir esse medo, mas comecei a me perguntar se não estava sendo um pouco egoísta ao querer manter meu filho Diogo sempre sob controle, debaixo das minhas asas.
Para realmente dar autonomia, eu precisava ver responsabilidade. E para isso, ele precisava me mostrar que estava pronto. Então, comecei com pequenas tarefas em casa. Lavar o copo que usou, arrumar tudo o que tirou do lugar, fazer a cama antes de sair para a escola — essas se tornaram regras, não apenas tarefas.
Claro que houve um estresse inicial. Mas com o tempo, as coisas começaram a se ajeitar. Como eu trabalhava o dia todo, a minha mãe começou a ajudar, assumindo a tarefa de orientação espacial. Ela saía com o Diogo a pé e pedia para ele prestar atenção no caminho, já que teria que dizer a ela como voltar. Pode parecer estranho, mas muitas crianças não prestam atenção nos caminhos quando andam de carro ou mesmo a pé. Não sabem os nomes das ruas e são incapazes de voltar sozinhas para casa, mesmo estando a poucos metros. Com os passeios com a avó, ele aprendeu a se localizar melhor e a usar transporte público. Experimente fazer isso e você verá que funciona.
Com o tempo, demos mais autonomia. Em vez de levarmos o Diogo até a casa do amigo, ele ia sozinho. Começou a ir e voltar do cursinho e do Krav Magá (Defesa Pessoal Israelense) por conta própria e a tomar algumas decisões. Quando surgiu a oportunidade de ele fazer um intercâmbio durante o Ensino Médio, fizemos um trato: até lá, ele teria que aprender a se virar sozinho.
Ensinei-o a cozinhar o básico: fazer arroz, temperar carne, preparar frango e peixe. Aí, era só juntar uma salada e pronto! Com essas habilidades, ele nunca mais passaria aperto para se alimentar. E meu filho realmente abraçou a ideia! Em alguns fins de semana, Diogo preparava o almoço para a família, o que gerou lembranças maravilhosas de momentos juntos na cozinha.

Chickpea salad preparado pelo Diogo
Hoje, ele tem o dobro da idade que tinha na foto lá de cima. Mora sozinho fora do Brasil. Pedala em trilhas com a bicicleta, pratica artes marciais e faz suas próprias refeições. E até me manda fotos do que preparou. E eu ainda me lembro daquele garotinho na minha cozinha! Agora, ele está pronto para o mundo.
Experimente fazer o mesmo. Pode ser cansativo, ter altos e baixos. Mas a recompensa é maravilhosa. Depois, volta e conte aqui como foi.
E você quer saber como eu fiz com a minha filha caçula, Laura? Um dia, eu também contarei essa história!
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